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Por Juliana Monteiro, Maylaine Nierg, Thainá Campos e Rafaela Carrilho

Fotos: Jéssica Bacelar e Thainá Campos

Aspectos culturais e mercado de trabalho são temas no campus Centro

O campus Centro da UCB recebeu, na manhã de 10 de maio, um ciclo de palestra sobre curiosidades na história da gastronomia. Comandado pelo diretor da escola de hospitalidade da UCB, Marcelo Tesserolli, o evento reuniu profissionais e alunos do curso num bate-papo sobre aspectos do contexto histórico-cultural da culinária no Brasil e no Mundo, e sobre a carreira de consultor profissional gastronomia.

As palestras foram ministradas pelos professores Tommy Freund, Myriam Melchior e Jaqueline Almeida, que abordaram, respectivamente, os temas: “Consultoria em Gastronomia”, “Notas sobre os saberes da gastronomia pelas lentes da memória social e da cultura” e “A simbologia do pão artesanal na Europa”.

Com um extenso currículo nas áreas gastronômica e hoteleira, o professor Freund compartilhou com os alunos as possibilidades inerentes a carreira de Consultoria Gastronômica, mercado extremamente amplo e promissor. Ele exemplificou algumas das principais funções do consultor gastronômico, que tem envolvimento em diversas funções de um restaurante, desde o processo de abertura, contratação de funcionários, escolha de cardápios a serem servidos, treinamento dos funcionários, entre outros.

Jaqueline Almeida, falou sobre a relação dos aspectos culturais e artísticos com a forma com a qual lidamos com alimentos com certos tipos de alimentos e bebidas. Em sua apresentação, a professora fez uma viagem no tempo e falou sobre curiosidades como o fato de as casas de café terem sido um marco dos encontros de revolucionários no período do iluminismo, na Europa do século XII. Ela explicou ainda a relação das casas de chá como um símbolo de maior liberdade para as mulheres também no período da revolução europeia.

Outro assunto abordado por Jaqueline foi a carga de identidade cultural relacionada a história do milho. Ela mostrou uma extensa pesquisa sobre o assunto que, inclusive, foi apresentada em outros países. A professora também está à frente de um projeto na UFRJ de incentivo a plantação do milho e ao resgate cultural desse alimento.

“O milho é um alimento que foi menosprezado pelos Europeus, mas que possui um riqueza histórica-cultural. No Brasil, por exemplo, esse alimento está presente desde os primeiros povos indígenas. A pipoca, por exemplo, é muito utilizada em rituais sagrados, não só na nossa cultura, como na de outros países. Além disso, um fato que muitos desconhecem é que existem diversos tipos de milho além do tradicional milho verde. É importante entender que a nossa relação com os alimentos vai além do sabor e da nutrição”.


Fechando o ciclo de palestras, a professora Myriam Melchior, destacou o pão como alimento primordial, que simboliza cuidado e amor em diversas culturas.

Para o professor de gastronomia da UCB, Flávio Jandorno, o saldo do encontro foi bastante positivo e aguçou o olhar dos alunos para diferentes aspectos da área que eles escolheram seguir. “O objetivo desse evento é proporcionar aos alunos uma visão mais ampla sobre gastronomia. É uma forma de expandir os horizontes seus horizontes para além do conteúdo acadêmico”.

Profissionalização da área é tema do Encontro em Realengo

Os chefes Pedro Alex, Rafael Moreira e Felipe Campos e o professor Luiz Henrique Santos e Silva foram os palestrantes da noite de 11 de maio para os alunos do campus Realengo.

Em entrevista para o portal, o professor falou sobre o empreendedorismo na área de gastronomia: “Quando a gente fala em empreender, tem que levar em consideração, não só tudo que está dentro da empresa, por exemplo, o chef ou as funções do chef, a gente tem que levar em consideração tudo: os recursos humanos, os recursos materiais, com quem eu vou comprar os materiais, para quem eu vou vender, aonde eu vou abrir meu negócio, o marketing vai estar envolvido. Olha quanta coisa vai estar envolvida quando a gente vai empreender, não só as funções do chef, mas se você fala em um chef sendo grande empreendedor e gestor desse negócio, os setores ficam de certa forma esperando as estratégias serem demandadas por ele, mas hoje em dia a gente não trabalha assim também e essa coisa de: ó vamos esperar o empreendedor passar as funções, o gestor ou o chef passar as funções, isso é uma gestão centralizada, hoje em dia a gente delega as responsabilidades e quem está na nossa equipe a gente tem que saber que tem ter competência para realizar aquilo e confiar no trabalho de cada um, então acaba sendo uma gestão colaborativa”.

O chef Rafael Moreira, especialista em cakes, deu dicas para quem está começando na profissão: “Investir em si mesmo, pois é muito importante e que futuramente você tem que acreditar que vai dar certo. Eu acreditei que ia dar certo e as coisas foram acontecendo com o passar do tempo”. Já o chef Felipe Campos afirma que “Gastronomia hoje é um leque enorme de oportunidades, o mercado está em uma carência muito grande de bons profissionais. Então, o conselho que eu dou hoje é esse: se especializem, amem o que fazem e caiam para o mercado de trabalho com amor, com paixão, porque a gastronomia é uma profissão bonita, elegante, porém, árdua. Dentro da cozinha não é mil maravilhas, é um lugar hostil, quente, muitas das vezes perigoso, mas é aquilo que eu falei: se você ama e faz com prazer, tudo flui”.

Para fechar, o chef Pedro Alex deu um panorama sobre a profissão e o mercado: “a gastronomia é muito rica e você tem várias variantes para você trabalhar, então assim: ela é segmentada e você pode trabalhar por: plataformas embarcadas, hotel, restaurante, buffet, buffet infantil, como empreendedor individual. Então assim, é muito abrangente, tem pessoas que trabalham como ambulante gourmet, o cara vai lá, faz sua comida, faz seu sanduíche e leva. Eu vejo que o mercado é grande, competitivo, mas a pessoa que está qualificada tem mais possibilidade de conseguir se firmar”.