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Por Ana Coelho, Moacyr Kloss e Rafaela Carrilho

Pensar em sustentabilidade está na ordem do dia. Com a crise econômica e ambiental, é preciso ter caminhos para uma agricultura mais limpa, mais justa e sem desperdício. A Universidade Castelo Branco, em parceria com a Igreja Messiânica, está fomentando o projeto de agricultura natural.
Coordenadores do projeto, Carla Mota, pesquisadora em Sustentabilidade e docente da Escola Superior de Gestão e Tecnologia, e Sérgio Anversa, coordenador do curso de Gestão Ambiental e professor dos cursos de Ciências Biológicas e Engenharia Ambiental, estiveram presentes no lançamento do programa, que aconteceu no dia 12 de maio, na horta localizada no campus Realengo.

O professor Sergio Anversa conta um pouco sobre como começou a parceria com a Igreja Messiânica: “a parceria começou com a professora Carla, que nos mostrou que existia a agricultura natural, um dos pilares da Igreja. Então, fomos tentar entender o que era agricultura natural. E percebemos que eles tinham pesquisas, experiências fantásticas de alimentação, de saúde, inclusive de hortas caseiras ensinando as pessoas a trabalharem no contexto natural, da energia da terra. Percebemos que era interessante enquadrar em nossa linha de pesquisa que estava alinhada à sustentabilidade. Vamos desenvolver um trabalho de botânica, de escoteiro, de água e floresta e educação ambiental”. Anversa afirma que o resultado dá resultado da horta será objeto de “artigos, publicações, apresentações em congressos e também para a saúde da comunidade”. O objetivo, segundo Anversa, é “mais tarde trazer a comunidade do entorno da UCB para cá. Mostrar para eles como construir essas hortas caseiras”.

       

Segundo Carla Mota, esse é “um projeto interdisciplinar que conta com a participação de docentes dos cursos envolvidos, além de seus alunos e representantes da comunidade do entorno, para iniciar projetos de pesquisas, práticas voltadas para desenvolvimento de sustentabilidade aqui na instituição, e que sirva de modelo para desenvolver essas práticas sustentáveis na comunidade. Então, a parceria nasceu com o objetivo de trazer a expertise da Igreja Messiânica, que já tem um know how desenvolvido nas práticas de agricultura natural para a sociedade como um todo. E a gente percebe que aqui no Rio de Janeiro a gente não está tão desenvolvido”. Carla afirma que, no momento, somente cursos de graduação estão envolvidos, mas a ideia é que, futuramente, alunos do Ensino Médio e do Ensino Fundamental também possam participar. A pesquisadora diz ainda que “percebendo que a gente pode ter uma parceria com esse know how que nos ensine a fazer isso, a levar para a sociedade essas práticas sustentáveis, e preocupado principalmente como formadores de conhecimento que somos, como universidade, e gerar pessoas que façam diferença na sociedade, que são nossos alunos, que saiam daqui com uma aplicação de conhecimento que de fato ajude a melhorar o mundo e as condições em que a gente vive, é que a gente buscou essa parceria com a Igreja Messiânica”. A professora complementa dizendo que o objetivo é tornar o projeto um multiplicador para que possa expandir a ideia da agricultura natural.

       

O ministro da Igreja Messiânica, Paulo, explica o que é a agricultura natural: “é uma técnica de respeito de 100% da natureza. Nós respeitamos a natureza desde o solo até os micro-organismos, até todas as plantas. E entendemos que temos que interagir com esse meio ambiente para que possa transformar o ser humano. O principal objetivo da agricultura natural não é colher alimentos, é conectar o homem à natureza para que esse possa também ser transformado através da natureza. E a consequência dessa conexão do homem com a natureza é produzir alimentos saudáveis e o respeito a essa natureza, não desmatar, conservar os rios, entender que o micro-organismo não tem nada com a gente. Então, a pessoa ganha uma consciência profunda de natureza. A natureza transforma a natureza do ser humano e faz com que ele reaja dessa forma. Então, esse é o objetivo principal: respeitar a natureza, conectar o homem à natureza. A agricultura natural é simplesmente fazer o que a natureza faz”.

Sobre a parceria com a UCB, Paulo afirma que “para mim, é um sonho porque, como que temos que transformar pessoas, nada melhor que uma universidade. As pessoas que estudam aqui estão abertas para o aprendizado. E você incorpora nesse aprendizado o respeito à natureza, conectar esses alunos à natureza”.

Presente no evento, o vice-reitor da UCB, professor Leomar Valença, agradeceu a parceria, como pessoa e como profissional de engenharia ambiental. O sonho desenvolvido com a horta para levar para fora a marca da UCB mostrando a qualidade de ensino e as oportunidades, graças aos trabalhos dos docentes e dos alunos. Carla Motta também agradeceu a participação dos alunos, dos membros da igreja e da UCB para desenvolvimento da agricultura natural.
Hugo Gomes, aluno do 9º período de Ciências Biológicas, acha que o projeto tem tudo a ver com o cenário atual: “A gente vive um momento em que as pessoas estão se preocupando com a alimentação, com a vida saudável, e nós, como alunos da Castelo, absorvemos essas informações que são passadas pela Igreja Messiânica, pela Fundação Mokiti Okada, que é o fundador, e isso aproxima o homem da natureza e desenvolve consciência ambiental nos alunos”.

Wilson Moreira dos Santos, morador de Sulacap, compareceu ao lançamento do projeto e afirma que gosta de aprender, principalmente sobre horta, e acha importante a Universidade estar integrada à comunidade levando informação.

      

Segundo a professora Carla, as atividades de desenvolvimento de cultivo de alimentos sob os princípios da agricultura natural preveem um ciclo inicial de quatro etapas: a atividade de preparo e vivificação do solo e de estruturação dos canteiros para futuro plantio, que foi realizada em 13 de maio em Realengo, e visita técnica à Secretaria de Horta em Casa – Escola de Sustentabilidade Messiânica, no Grajaú, Rio de Janeiro, no dia 10 de maio. No dia 03 de junho, acontecerá a segunda da atividade de cultivo em Realengo. Desta vez será realizado o plantio no solo preparado em 20 de maio.
Já em 16 de setembro, acontecerá a visita técnica à Fazenda do Polo Messiânico de Agricultura Natural, em Silva Jardim, para aperfeiçoamento.