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Por Rafaela Barbosa

Pertencimento é uma das coisas mais almejadas na sociedade pós-moderna. Numa tentativa de despertar esse sentimento das pessoas com a multifacetada cidade maravilhosa, o artista plástico Robson Letiere realiza um circuito de sua exposição Rio Bairros pelas universidades da cidade. A exposição conta com bandeiras dos 162 bairros cariocas e uma breve história do bairro.

— Em 2009 o meu filho Tales, com 14 anos, chegou pra mim com uma curiosidade: ele queria saber por que o nome do bairro onde nós morávamos era Jacaré. Na época eu não soube responder e fui pesquisar a história do bairro. Um mês depois ele ficou encantado quando descobriu que o nome não tinha nada a ver com o réptil. É um termo indígena que significa rio tortuoso, cheio de curvas. Aí ele me desafiou, ele queria saber a história de todos os bairros do Rio de Janeiro, que na época eram 160 bairros e hoje são 162. Foi esse o presente que ele me pediu de aniversário de 18 anos, contou o artista.

O presente de Tales acabou ganhando proporções inimagináveis. A curiosidade de seu pai e o seu entusiasmo pela história carioca fizeram com que ele apresentasse um projeto à Prefeitura a fim de realizar um concurso para a criação de bandeiras para todos os bairros. O projeto foi recusado, mas isso não foi obstáculo para Robson Letiere.

— Foi um processo que foi evoluindo com o tempo. Como não tinham bandeiras propostas e a Prefeitura resolveu não me apoiar na realização de um concurso, eu fui e fiz um curso de desenho gráfico, fui estudar heráldica, fui estudar vexilologia, que são as ciências que trabalham com a questão das bandeiras.

 

O artista, que também é presidente de uma ONG e professor da área da saúde, enfatiza a importância do sentimento de pertencimento e usa seu trabalho como catalizador desse processo.

— O projeto tenta despertar nas pessoas o sentimento de pertencimento ao local, conhecendo a história desse local ela vai começar a se apropriar desse local, vai começar a zelar por ele, vai começar a proteger ele, vai começar a ser um agente de transformação desse local, esse é o objetivo principal do trabalho.

A exposição esteve no campus Realengo da UCB de 21 a 25 de agosto. Do dia 28 de agosto ao dia 31 de agosto estará visitando o campus Centro, de 4 a 6 de setembro na Penha e de 11 a 14 de setembro no campus Guadalupe.